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  O que se aprende no grupo?

Juliana Davini

"Nunca sei como é que se pode achar um poente triste. Só se é por um poente não ter uma madrugada. Mas se ele é um poente, como é que ele havia de ser uma madrugada?" Poemas Inconjuntos, Fernando Pessoa, em Alberto Caeiro.


No grupo aprendemos o que é a felicidade e o que é a dor. No grupo nos humanizamos. No grupo nos descortinamos, caem-se os véus, mas paradoxalmente, em grupo, aprendemos os segredos e as artimanhas da colocação dos véus. O grupo é um complexo e emaranhado mundo de sentimentos e representações, mais ou menos inconscientes. Palco das fantasias, de ataque e defesas, de entregas e descobertas, de expectativas e desilusões, de surpresas e maravilhas, tudo cabe neste cenário luminoso. Em um grupo tudo se confunde: as procedências, as tonalidades, as direções.
Todos vivem em grupo, ninguém escapa desta experiência intensa e assustadora. Em nosso primeiro grupo, o familiar, construímos os alicerces que funcionarão como uma paisagem interna através da qual, olharemos para o mundo. No segundo grupo, a escola, começamos imediatamente a participar da construção dos alicerces, fazendo marcas na paisagem. Cada grupo novo vai compor esta cena, podendo borrar contornos ou figuras, destacar movimentos ou simplesmente apagar as cores. Somos seres grupais e lutamos incessantemente para descobrir a boa distância que devemos guardar do outro para não sufocá-lo, para não espetá-lo, para não abandoná-lo e para mantê-lo aquecido. Buscamos em nossos grupos, um lugar onde possamos ser reconhecidos em nossas potencialidades, estilos e características, onde possamos ser incentivados, acolhidos, impulsionados, onde possamos receber calor sem nos queimar.
Na construção desta experiência experimentamos pressionar e ser pressionado, cutucar e ser cutucado, criticar e ser criticado, esperar algo do outro e receber expectativas dele, fundir e ser separado, olhar e ser olhado, apoiar e ser apoiado, incentivar e ser incentivado. Experimentamos limitar e receber limites, liderar e ser liderado, brigar e calar. Nesta profusão de fenômenos, somos constantemente convidados a reagir, a decidir, a fazer escolhas. Assumir que nossa reação é uma escolha e portanto nossa responsabilidade, exigindo um movimento interno de implicação, que significa o reconhecimento da nossa parte na construção daquela cena, da qual muitas vezes nos queixamos, como se fôssemos apenas vítimas. Sempre é mais fácil acusar o outro do que ele fez ou deixou de fazer, apontar-lhe as faltas, distraindo-nos das nossas. Com o outro esperamos tudo conseguir, esperamos apaziguar as diferenças, desejamos complementar os nossos espaços em branco e nos colocamos na tarefa insana de juntar poentes e madrugadas.
Poderíamos, numa outra posição, recomeçar?


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11. Diálogos Formadores
10. Diálogos Heterogêneos
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