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  O desafio da convivência grupal no local de trabalho

Leila Arruda

"É pelo brilho dos olhos que se percebe a porção de liberdade." FREINET



Foi no Espaço Pedagógico, primeiro como aluna, depois como Observadora e mais tarde como Coordenadora de Grupo em Bauru, que concretizei meus conhecimentos e experiências sobre o que vem a ser um grupo democrático.
Segundo Marilena Chauí, democracia é um enigma e o desejo da unidade talvez seja o maior engano que nos afasta, ao invés de nos aproximar dela. Assim como a cidade democrática não se pode definir pela igualdade, o grupo democrático também não. Define-se pela liberdade. Nele as pessoas são tidas como iguais porque são livres. Numa democracia a liberdade é que definirá a igualdade social. Um grupo será mais livre, quanto maior comunicação e respeito existir entre seus componentes. Existe nele, a autoridade do coordenador e há também uma igualdade, construída na diversidade de papéis.
Grupo Democrático para mim, é aquele cujos conflitos são expostos e discutidos buscando sua superação. No qual temos voz e vez, independente do lugar que ocupamos. Grupo democrático também é aquele no qual posso exercitar a crítica ao meu colega em algo que discordo dele, porém sem deixar de exercitar também a minha generosidade.
O papel do coordenador neste tipo de grupo é o de alguém que ouve e reflete sobre ações individuais, as lê e interpreta para que haja crescimento individual. Dessa forma o grupo pode amadurecer e ir se preparando para enfrentar a diversidade e os conflitos, aprendendo a responder e interagir com os conflitos naturais da vida grupal.
Quisera eu anteriormente ter vivenciado um grupo como aprendi no Espaço Pedagógico! Não cometeria os mesmos erros que durante longos anos cometi. Erros, como desejar que todos do grupo apreendessem ao mesmo tempo e no mesmo ritmo aquilo que foi vivenciado. Iria olhar o outro com mais suavidade, ajudando-o a superar-se através do movimento grupal.
Como coordenadora, através do planejamento de minhas Intervenções, aprendi a pensar no outro com anterioridade, com planejamento prévio, antevendo e projetando a aula e as necessidades individuais e do grupo.
Através da necessidade de intervir no ato, para que meu aluno pense sua prática, aprendi a desvelar meus pensamentos e mostrar ao outro o que vejo e como vejo, de forma a ajudá-lo a ir adiante.
Venho aprendendo a ser mais pontual pelo exercício da elaboração de focos para a minha observação, ao mesmo tempo aprendo a ser mais subjetiva em minhas avaliações. Subjetiva no sentido de focar meu olhar na necessidade pedagógica de meu aluno e de meu grupo, não só percebendo como trabalhando com suas necessidades.
Aprendi que devo desvelar o pensamento velado, ir a fundo para acabar com os ruídos que prejudicam a comunicação. Ser cuidadosa nas relações buscando a criação de vínculo e amparando-me no vínculo desenvolvido pela convivência e ajudar as pessoas a crescerem não só como profissionais, mas em suas humanidades, em seus jeitos de olhar o outro e conviver.
O melhor de tudo, é que este não foi um aprendizado teórico, livresco, escolástico, mas foi efetivado através das experiências vividas e que hoje me fazem refletidamente mudar não só minha concepção sobre grupo, como minha postura diante das vivências e dos conflitos grupais. O grupo está diante de mim, como um desafio democrático. Devo olhar se há brilho em seu olhar...


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12. Diálogos Ressignificados
11. Diálogos Formadores
10. Diálogos Heterogêneos
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