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  Resenha: O educador e a sua formação na crise da modernidade

Edmilson de Castro

Vivemos neste fim / início de novo milênio, sob o impacto de modificações e rupturas nos paradigmas científicos, éticos e culturais, produzidos ao longo do que se convencionou chamar de modernidade.

Crise de identidade certamente. Certezas e verdades até então inquestionáveis, são hoje relegadas ao campo das incertezas e hipóteses.

A presumida solidez das diversas instituições sociais - escola, família, igreja - e de seus agentes - professores, pais e clérigos - pulveriza-se diante da vertiginosa e complexa rede de produção e divulgação de conhecimentos, que ao mesmo tempo que produz um imenso painel acerca do homem da cultura e da natureza , torna tudo, rápidamente, obsoleto.

Resulta deste cenário móvel e trepidante, que a escola, instituição social nascida dos ideais da modernidade, busca, ela também, compreender seu papel e o dos profissionais que a constituem.
Tendo como pano de fundo os sobressaltos causados pela passagens dos paradigmas modernos para as da pós-modernidade, Fátima Camargo investiga, em sua dissertação de mestrado,"A formação contínua e a prática do educador: a (re) criação dos paradigmas produzidos no processo de aprendizagem em serviço", defendida em abril de 2.000, na Faculdade de Educação Universidade de São Paulo, as diversas maneiras com que educadores egressos de cursos de formação continuada, se apropriam e transferem à prática, os ensinamentos obtidos ao longo de um processo de formação em serviço.

Amparada por amplo variado e consistente referencial teórico, a autora investiga o trabalho de ex-alunos do curso de formação do Espaço Pedagógico, instituição voltada a formação de educadores onde atua, também, como professora.

Ao analisar as representações discursivas de sua ex-alunas, a autora localiza, com precisão e argúcia, os principais dilemas daqueles que saem dos cursos de formação continuada: a dificuldade de associação entre teoria e a prática, a superação do empobrecido universo cultural ocupado pela escola e seus educadores, que os impulsiona a uma ação ditada pelos vícios da repetição do hábitus.

Neste estudo que alia densidade informativa a sensibilidade analítica, somos convocados a pensar o trabalho dos educadores sem qualquer apelo mitificador. Com muita firmeza e precisão, os educadores são avaliados face às novas demandas sociais e suas responsabilidades éticas e profissionais, sem a típica complacência idealizante que, com freqüência, caracteriza as interpretações acerca do papel dos educadores em nossa sociedade.

Em tempo: a autora é portadora de um texto que em nada lembra os hemertismos típicos dos trabalhos acadêmicos que, não raro, dificultam a leitura e o interesse de leitores menos familiarizados com a estrutura das produções científicas.

Sua consulta será de grande valia a todos aqueles educadores que desejem compreender sua prática de modo a melhor sintoniza-lá com seu tempo e suas necessidades.


reflexões que convidam a pensar conosco
as questões de educação e cultura
 


12. Diálogos Ressignificados
11. Diálogos Formadores
10. Diálogos Heterogêneos
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